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sábado, 29 de agosto de 2015

Guardador de Almas



O pouco luar timidamente 
lança raios de luz
em uma imensidão
escura do sem fim
O esvoaçar das batidas
fortes daquelas asas
rasgavam o céu opaco
Aquele ser de face frívola,
lábios gélidos cerrados, olhos sombrios
manto abrangente
me fuzilava com olhar esbugalhado
senti meu corpo convalescer
tombando ao chão
como um casca vazia
tudo começou a ficar turvo
longe, meus olhos desvanecendo
Enquanto aquele anjo
de vestes trapilhas e negras
em um impulso, rasgava o céu
com um voo rajante
em busca de novas almas para ceifar
se afastando cada vez mais
E minha vida continuava fruindo
para fora de mim, alimentando
a sede da terra fria e úmida
com meu sangue quente, deixando
meu corpo afagado pela neblina
corriqueira que cobria tudo
naquela alameda vazia.