sempre que eu acho que morreu ele acorda
para mostrar que só adormeceu
e mais uma vez mergulho na escuridão
onde teus braços me envolvem
me puxando me levando cada vez mais pro fundo
pra onde já não exista a razão
me levando pra perto de ti
na ilusão inconsciente
eu revido
eu luto, me debato, mas parece em vão
o vento sussurra teu nome em meus ouvidos
vira canto que embala minha falta de lucidez
mas o corpo acostuma
o anjo de veste negras se cansa
afrouxa os punhos
me liberto
agora esta morto enterrado
tento não olhar para o tumulo
a lapide fria
lagrimas já não caem
e quando dou as costas
finalmente é hora de seguir em frente
mas mesmo distante
os fantasmas voltam, assombram o sono
eu grito, mas o silencio não propaga som algum
ele volta, ele sempre volta
simplesmente porque nunca vai
ele não morreu
apenas adormeceu dentro de mim
esperando a hora de acordar
me fazendo cair do abismo outra vez
mergulhando ainda mais fundo
no vale de lagrimas ao encontro do teu sorriso
sentenciou minha alma a viver em tua sombra
a viver na dor do adeus
onde o coração só pulsa pela pouca esperança
de que regresse e mesmo que eu não queria
o corpo não obedece
minha alma não esquece
meu ser que já vegeta
embalado em sonhos
pois só ali, nosso encontro é pleno
meu rosto sem expressão espera
até que vc pegue lentamente no sono
por poucos momentos
sair de você em mim e viver, sorrir
uma ultima vez,
até a hora em que acorde
afinal você apenas adormece
não é?
Para que me envolva novamente em seus braços e me arraste para as lembranças
Aquelas que sobrevivem
Apenas ficam quietas durante seu sono
Calmo, tranqüilo, sossegado
Como o dormir de anjos nas nuvens mais altas
Durma quieto
Até que meu coração não pulse,
Meu sangue coagule
E em meu ultimo suspiro
Para que a ultima coisa que meus olhos vejam seja tua imagem turva
Me tomando em seus braços
Para um sono eterno
E acabar até o fim dos séculos
Pois apenas vamos adormecer
Em um adeus eterno.

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